sábado, 9 de maio de 2015

Picardia: Mundial de Matraquilhos


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ALICE NO PAÍS DOS MATRAQUILHOS

Mãe fora (em que avenida?)
olhos que a perseguem, pagam, comem
pai dentro lambendo a ferida 
com que o desemprego marca um homem
e o irmão na caserna
puxando às armas brilhos
e Alice no café
habitante do país dos matraquilhos

Na classe dos repetentes 

hoje vai haver mais uma falta 
Alice cerra os dentes 
vendo a bola que no ar ressalta 
quer lá saber do exame 
quer lá saber da escola 
aguenta no arame 
matraquilho nunca cai ao ir à bola 

Alice no país dos matraquilhos é mais 

do que no bairro em que vive tem-te-não-cais

Há também Leonor 
libertada da prisão há meses 
dizem que é por amor 
que olha tanto por Alice às vezes 
pousa-lhe a mão na cara 
protege-a de sarilhos 
Alice nem repara 
viajou para o país dos matraquilhos 

E o irmão na caserna 

cambaleia entre a cerveja e a passa 
tem o sargento à perna 
o tal que compara a guerra à caça 
faz tempo que descobre 
que é um matraquilho mais 
soldadinho de cobre 
matraquilho no país dos generais 

Alice no país dos matraquilhos é mais 

do que no bairro em que vive tem-te-não-cais 

Quando se cai na lama 

ninguém pára pra nos levantar 
«Alice!» — o pai reclama —  
«a tua mãe não veio pra jantar»  
e os insultos, noite fora, 
desfia-os em chorrilhos 
Alice nunca chora 
adormece no país dos matraquilhos 

E a mãe no «bar do amor» 

passa as horas na conversa mole 
espera o seu protector 
e que o seu corpo a ela enfim se cole 
não é que não recorde 
os que deixou em casa 
mas eis que chega o Ford 
e dentro vem o seu pavão de anel na asa 

Alice no país dos matraquilhos é mais 

do que no bairro em que vive tem-te-não-cais 

Entra então no café 

um rapaz de capacete em punho 
fica-se ali de pé 
escreve num papel um gatafunho 
e a Alice lê, surpresa, 
frases que são rastilhos 
«Como vai Sua Alteza 
a rainha do país dos matraquilhos?» 

«E tu, ainda és o rei? 

Será que voltaste em meu auxilio?» 
«A bem dizer, já não sei, 
há tantos anos que ando no exílio...» 
«Vamos a um desafio?» 
«Atira tu primeiro» 
«A vida está por um fio 
para quem é deste bairro prisioneiro» 

O café que ali houve 

é uma loja com ares de modernice 
e nunca ninguém mais soube 
(a não ser a Leonor) da Alice 
«Aqui vai, Leonor, 
a foto dos meus dois filhos; 
se reparares melhor, 
têm pinta assim, sei lá, de matraquilhos»

Alice no país dos matraquilhos é mais 

do que no bairro em que vive tem-te-não-cais 

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